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domingo, 4 de agosto de 2013

Papa Francisco no Brasil


Papa Francisco no Brasil: Visita terá caráter estratégico para Igreja.

José Renato Salatiel (jornalista e professor)

Em sua primeira visita ao Brasil, o papa Francisco cumprirá uma das etapas mais importantes de sua missão de revigorar a imagem da Igreja Católica na América Latina, sobretudo diante da expansão do movimento evangélico na região.
Ficha-resumo
O Brasil é o maior país católico do mundo, com 123,2 milhões de fieis (64,6% da população). Nas últimas décadas, porém, vem perdendo devotos para as igrejas evangélicas. De acordo com o censo do IBGE de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% em 10 anos, enquanto a população católica retraiu, em duas décadas, 22%.
Contribuíram para isso o uso eficiente dos meios de comunicação eletrônicos pelas igrejas evangélicas e o trabalho de pastores nas periferias das cidades. A Igreja Católica, por seu turno, encontrou dificuldades para tratar questões contemporâneas como o aborto, o divórcio e o homossexualismo.
Além disso, o Vaticano envolveu-se em escândalos sexuais -- com clérigos acusados de pedofilia -- e de corrupção. A pressão da opinião pública foi um dos motivos que levaram o papa emérito Bento XVI a renunciar em 11 de fevereiro, surpreendendo o mundo cristão. Foi o primeiro papa a abdicar do cargo desde 1415.

Em 13 de março, o Conclave escolheu o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio (que adotou o nome de Francisco) como substituto de Bento XVI.
A escolha do primeiro papa latino-americano da história não foi por acaso: a América Latina, que concentra 45% dos católicos no mundo, é vista por Roma como uma base estratégica para a superação da crise do catolicismo na Europa.
Juventude
Bento XVI esteve no Brasil em 2007. Já em sua primeira viagem, o papa Francisco participa da Jornada Mundial da Juventude, evento religioso que reúne cerca de 2,5 milhões de católicos no Rio de Janeiro, entre 23 e 28 de julho.
O encontro acontece a cada três anos, mas foi antecipado para não coincidir com a Copa do Mundo de 2014. O último foi realizado em 2011, em Madri, na Espanha. Durante o evento no Brasil são realizadas missas, palestras, shows e outras atividades religiosas.
O maior encontro internacional de jovens católicos foi criado pelo papa João Paulo II em 1984. A primeira edição aconteceu em Roma, dois anos depois. Contudo, a preocupação da Igreja Católica com os jovens é mais antiga. Ela data do Concílio do Vaticano II, de 1965, período de agitações culturais, políticas e comportamentais.
Na década de 80, o Vaticano percebeu que essa revolução nos costumes afastava os jovens da vida católica e da vocação eclesiástica. Como efeito, caía o número de sacerdotes ao passo que crescia a quantidade de adolescentes que se desligavam da tradição religiosa.
Por isso, os encontros com o papa serviriam como uma “vitrine” do Catolicismo, de forma a revigorar a fé católica entre os mais jovens.
Corrupção
Até agora, o papa Francisco exerceu um pontificado discreto, sem muitas mudanças ou polêmicas.
Seus primeiros atos foram administrativos e tiveram repercussão interna na igreja. Ele nomeou comissões especiais para investigar desvios de dinheiro do Banco do Vaticano e para trocar o comando da Cúria Romana, órgão administrativo da Santa Sé que é alvo de denúncias de corrupção, nepotismo e abusos de poder.
As supostas irregularidades tornaram-se públicas com a divulgação de documentos secretos do Vaticano, no ano passado, no escândalo que ficou conhecido como Vatileaks (em referência ao Wikileaks).
 No começo de julho, o diretor-geral do Banco do Vaticano renunciou ao cargo devido às investigações da Justiça, três dias após a prisão de um clérigo que era contador na Cúria.
Na esfera religiosa, o papa assinou, no começo de julho, o decreto de canonização de dois papas considerados importantes na história moderna do Catolicismo: João Paulo II e João XXIII, que serão santos por conta de milagres atribuídos a eles.
Uma das características do papa Francisco é o despojamento e a popularidade. Ele abriu mão de privilégios, vive em um apartamento comum, pagou as contas do hotel onde se hospedou durante o Conclave em Roma e, em comunicado oficial, admitiu os próprios pecados. Ele também demonstra maior contato físico com os fieis durante suas aparições públicas.
No Brasil, o papa encontrará um país ainda agitado por uma recente onda de protestos políticos, mas não uma igreja dividida por conflitos, como os que marcaram a oposição do Vaticano às doutrinas social-cristãs na época da ditadura. Mesmo tendo a tarefa de divulgar o Catolicismo em uma nação que gradualmente perde adeptos, o tom será conciliador.

Estudante: Fique Ligado

Para o estudante secundarista e o vestibulando, a visita do papa Francisco é um gancho para tratar de questões históricas relaciondas ao cristianismo e à igreja católica. É um convite ao estudo desses temas pela perspectiva da história geral. Como complemento, vale conhecer o que dizem os estudos históricos sobre Jesus Cristo, por uma perspectiva laica.

Direto ao ponto

Em sua primeira viagem ao Brasil, o papa Francisco participa da Jornada Mundial da Juventude, evento religioso que reúne cerca de 2,5 milhões de católicos no Rio de Janeiro, entre 23 e 28 de julho. O cardeal argentino foi eleito em 13 de março após a renúncia do papa Bento XVI.
O encontro acontece a cada três anos, mas foi antecipado pra não coincidir com a Copa do Mundo de 2014. O último foi realizado em 2011, em Madri, na Espanha.
O maior encontro internacional de jovens católicos foi criado pelo papa João Paulo II em 1984. A primeira edição aconteceu em Roma, dois anos depois. O objetivo é atrair jovens para a fé católica, em meio a um processo de descristianização na Europa e de crescimento de igrejas evangélicas na América Latina.
O Brasil é o maior país católico do mundo, com 123,2 milhões de fieis. Nas últimas décadas, porém, vem perdendo o número de devotos para as igrejas evangélicas. De acordo com dados do IBGE de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% em 10 anos, enquanto a população católica retraiu 22% em duas décadas.

Sugestões de estudo para se preparar para o vestibular e ENEM:
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/atualidades/papado-joao-paulo-2-bento-16-e-a-historia-dos-papas.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/imperio-romano---cristianismo-da-pregacao-de-jesus-a-constantino.htm.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/igreja-catolica-1-na-idade-media-essa-instituicao-ganhou-forca-politica.htm.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/igreja-catolica-2-arquitetura-e-arte-crista.htm
http://educacao.uol.com.br/biografias/jesus-cristo.jhtm

FONTE: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/papa-francisco-no-brasil-visita-tera-carater-estrategico-para-igreja.htm


quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Ciclo do Pau-Brasil - 1503
07/01/2009 - Fernando Kitzinger Dannemann

Muito antes da chegada de Cabral às terras ameríndias, os europeus já conheciam a madeira de cujo cerne avermelhado, cor de brasa, extraíam um corante com que se tingiam panos. Era trazido das Índias pelos árabes, que auferiam grandes lucros nessa empresa, já que a cor vermelha dos tecidos, durante muitas décadas reservada aos eclesiásticos, entrara na preferência do vestuário burguês.

O pigmento responsável pela cor (substância depois denominada “brasilina”) era utilizado para tingidura desde a Idade Média. No século 16, seu valor comercial tornou-se tão grande que influiu na disputa por novas terras, entre franceses, holandeses e portugueses. Botanicamente, trata-se de árvore da família das leguminosas, pertencente à espécie Caesalpinia echinata (nome derivado dos numerosos espinhos que possui no tronco), praticamente extinta no século 20.

Em sua segunda expedição (1503) às terras encontradas três anos antes, Américo Vespúcio enviou a dom Manuel, rei de Portugal, um relatório informando que entre as riquezas procuradas as de maior proveito eram “infinitas árvores de pau-brasil”. Realmente, quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram nas matas atlânticas da região do Espírito Santo e da Bahia uma enorme quantidade de madeira de lei (caviúna, jacarandá e outras), especialmente uma árvore alta (8 a 10 metros e diâmetro de 80 centímetros), dura e resistente, cujo cerne tinha intensa coloração vermelha, da cor de brasa. Por isso, recebeu o nome de pau-brasil.

Logo após o regresso da expedição de Américo Vespúcio, dom Manuel colocou o comércio do pau-brasil sob monopólio da Coroa, mas os lucros obtidos com sua exploração eram bem inferiores aos que Portugal vinha conseguindo apurar com as especiarias trazidas da Índia. Assim, a extração da madeira foi entregue a uma companhia particular que se obrigou a vender todo o produto à Coroa, tendo-se estabelecido, para isso, um consórcio comercial de cristãos novos (de origem judaica) chefiados por Fernando de Noronha, com uma concessão de três anos.

Os primeiros mercadores comprometeram-se a enviar às novas terras seis navios por ano, explorar 300 léguas do seu território, além de construir e manter feitorias no litoral, pagando uma taxa fixa (4.000 ducados por ano) à Coroa portuguesa, em troca da licença concedida. Vencido o prazo da concessão, Fernando de Noronha conseguiu renová-la até 1511. Durante esse período a exploração anual da madeira foi avaliada em cerca de 20.000 quintais (medida equivalente a 4 arrobas, ou 60 quilos, a unidade), valendo cada um deles em torno de 2 ducados e meio (moeda de ouro e de valor variável, usada antigamente em muitos países da Europa) . A partir de 1513 o contrato passou para as mãos de Jorge Lopes Bixorde, mas bastante alterado: a companhia, por exemplo, poderia comerciar livremente a madeira, mediante imposto no valor de um quinto do carregamento.

Segundo Gabriel Soares de Souza, no Tratado Descritivo do Brasil de 1587, a madeira existia em abundância no litoral do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte. A de melhor qualidade era obtida em Pernambuco, onde recebia o nome de “pau de Pernambuco”, e de onde saíam enormes carregamentos. O pau-brasil era extraído de maneira rudimentar. Os índios, que o chamavam de ibirapitinga, derrubavam as árvores e as empilhavam em troca de presentes. Eram eles também que, caminhando várias léguas, transportavam achas e toras nos ombros, ate o porto, e carregavam os navios (trabalho que seria executado pelos negros, após a introdução da escravatura).

Os franceses já haviam entrado em contato com os indígenas desde 1504, instalando feitorias no litoral brasileiro e enviando regularmente para a Europa navios carregados de madeira. Os protestos de dom Manuel jamais foram aceitos por Francisco I, rei da França. Mais habilitados no trato com os índios, os franceses conseguiram maiores vantagens que os português, mas seu sistema de exploração causou graves prejuízos às matas brasileiras: ao invés de cortar as árvores, eles ateavam fogo na parte inferior do tronco, provocando assim muitos incêndios que também matavam animais e destruíam preciosas essências (na ilustração, flores do pau-brasil).

Com a finalidade de acabar com a “pirataria estrangeira”, dom João III enviou expedições de guarda-costas para a colônia. Entre 1516 e 1519, e entre 1526 e 1528, os portugueses, chefiados por Cristóvão Jaques, conseguiram afundar e apreender vários navios franceses. Mas o policiamento era insuficiente para cobrir todo o imenso litoral brasileiro, e por isso Portugal viu-se diante da única alternativa para impedir o contrabando francês: enviar colonos para povoar definitivamente a nova terra.

Em 1530 Martim Afonso de Souza partiu de Lisboa à frente de quatrocentos homens, trazendo semente, mudas de plantas, instrumentos agrícolas e gado, com instruções para fundar feitorias e lotear o território da colônia. Após deixar três colonos na Bahia, ele chegou à baía de Guanabara, onde os franceses haviam se instalado. Três meses depois seguiu em direção ao sul, atingindo o rio da Prata. O navegador português fundou vilas (São Vicente, Santo Amaro e Santo André da Borda do Campo), e de regresso a Pernambuco aprisionou dois navios piratas carregados de pau-brasil, matando toda a tripulação. Ainda assim, em 1532, a fragata La Pelerine, transportando cerca de 5.000 toros, foi apreendida por uma frota portuguesa em Málaga e conduzida à corte de Lisboa.

Diante da insistência francesa, Portugal dividiu o Brasil em várias capitanias, cada uma delas tendo por governador um capitão-mor encarregado de controlar o litoral e expulsar os piratas franceses. Mas já se encontrava em declínio o curto ciclo do pau-brasil: a madeira escasseava e o nomadismo que caracterizava a atividade extrativa, impedia a constituição de verdadeiros núcleos de povoamento, Apesar do esgotamento das matas junto ao litoral, a extração continuou sob a forma de monopólio régio, possibilitando mesmo uma pequena exportação.

Até 1660, quando o pau-brasil já não era o principal produto exportado, os lucros eram consideráveis. Segundo balanço da época, num embarque de 10.000 quintais (limite máximo admitido no contrato), registrou-se a renda bruta de 40 contos. Eram deduzidos 10 contos de custo no Brasil, 3 contos de despesas com o transporte para Portugal, e 21 contos pagos a Real Fazenda. Isto significava 34 contos de despesas e 6 contos de lucros. Nessa época, a exploração do pau-brasil já estava sendo ultrapassada por uma nova atividade econômica: a da cana-de-açúcar.


Fonte: Enciclopédia Abril
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Fonte do texto: http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1152955